Miguel Guedes

Entrámos em 2022 ainda mais esperançosos do que habitualmente! Porquê? Porque esperamos que seja o ano em que termine esta pandemia que nos assola desde 2020, mas também porque já este mês teremos eleições legislativas.

As eleições são o expoente máximo da democracia e é através do voto que cada cidadão escolhe o projeto que gostaria de ver implementado no país. Cada um de nós, com a sua visão e desejos próprios, escolhe o projeto que gostaria de ver concretizado.

Neste momento preocupa-me, cada vez mais, que um país relativamente pequeno (em área) como Portugal apresente assimetrias tão grandes como todos reconhecerão facilmente. É demasiado evidente que em Portugal o Litoral e o Interior têm dinâmicas políticas, económicas e sociais bem diferentes.

Durante anos e anos os fundos comunitários têm sido “despejados” no Litoral. Até já se falou da construção de uma terceira autoestrada Lisboa – Porto…

O Interior, por sua vez, vai assistindo a um enfraquecimento económico e um esquecimento causado pela sua contínua perda de população. Apesar de cada vez mais se falar deste problema, que os Censos 2021 vieram confirmar, continuamos com intenções, discursos e pouco mais.

É precisamente em altura de eleições que devemos reivindicar atenção ao nosso Interior! Devemos pedir soluções, apresentar propostas e exigir a sua execução.

No nosso distrito de Viseu muito se tem falado do IP3, do centro oncológico e do comboio. E bem! Mais do que merecidas são estruturas que em muito contribuirão para a melhoria das condições de vida não só no Distrito de Viseu, mas também de Castelo Branco, Guarda e Vila Real.

Há no entanto outros dois projetos que, sendo menos “populares” seriam também eles muito importantes para o distrito. Falo da construção do IC26 que ligaria Trancoso a Amarante e da ER 226-2 que prevê ligar Tabuaço a Armamar, mas que deveria ser mais do que isso.

Sobre o IC26 já muito foi dito, a sua importância para os municípios de Trancoso, Vila Nova de Paiva, Moimenta da Beira e mesmo Lamego ou Tarouca é por demais evidente.

Por sua vez a ER226-2 é muito menos popular devido, também, ao pequeno número de habitantes nestes dois municípios. Porém, na minha opinião, esta estrada regional deveria ser mais “ambiciosa” do que se prevê. Deveria ser uma ligação dos Municípios de Armamar, Tabuaço, S. João da Pesqueira e até mesmo Penedono e Sernancelhe à A24.

João da Pesqueira, por exemplo, é um dos municípios da Região Demarcada do Douro com mais produtores engarrafadores de vinho. Esta atividade, como é sabido, é cada vez mais um setor de exportação logo um bom acesso a autoestradas (A24), é um garante de facilidade na logística desta atividade. Penedono e Sernancelhe são municípios, também eles com pouca população, mas muito ricos culturalmente e locais de imenso interesse turístico por exemplo. Tabuaço e Armamar, para além da produção de vinho são também locais de grande património cultural e turístico, mas cujas acessibilidades desencorajam, por vezes, uma justa e mais que merecida visita.

Além disso, estes municípios são servidos essencialmente pela N222. É considerada uma das mais belas estradas do mundo, honra que tão justamente lhe pertence. Porém com o aumento do turismo nesta região é facilmente constatável que o “convívio” entre turistas e a azáfama de quem por cá trabalha dificulta os objetivos de cada um destes grupos.

Estes seriam dois projetos dos quais se deveria falar, e muito, nesta campanha. No interior as estruturas rodoviárias ainda são uma necessidade para muitos dos municípios. Sem dúvida seriam um potenciador de atividade económica nestas localidades. São dois projetos essenciais na nossa região, no âmbito da coesão territorial!

Podemos dizer que é da responsabilidade dos Autarcas ou até mesmo das CIM (Comunidades Intermunicipais) reclamar e exigir a construção destes equipamentos. Sim, é da responsabilidade deles, mas é da responsabilidade, de cada um de nós fazê-lo também.

É nossa responsabilidade sermos exigentes com quem nos governa e não nos resignarmos com o esquecimento. É nossa responsabilidade apresentarmos propostas e soluções. É nossa responsabilidade lutar para que o Interior não se torne cada vez mais… interior!!!

Artigo de Miguel Guedes – Membro do Núcleo de Viseu da IL

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